O azulejo frio não é só piso — é sentença. Sua mão treme. Não de frio. De não saber mais quem segura o próprio corpo.
O cheiro de mofo é o mesmo de meses atrás. Só que agora, ele grita. Grita que nada mudou. Que você ainda tá aqui. Sentada no mesmo chão. Fingindo que tá tudo bem... pra não preocupar ninguém.
O espelho não mente. Ele mostra. Mostra o que sobrou depois que você deu tudo. Mostra um rosto que já se calou demais. Olhos vazios que tentam lembrar como era sorrir antes de ser ignorada.
Você ouve o “fala baixo que incomoda”. Mas o que mais incomoda... é saber que você acreditou. Que você achou que amor era se diminuir. Que presença era favor. Que ser amada era aguentar.
“Li chorando no banheiro. Era tudo o que eu nunca consegui dizer.”
“Esse livro me abraçou com a verdade que eu escondia.”
“É desconfortável, mas é libertador. Me vi em cada página.”